LIVE AT SMUP

António Braco of JAZZ.PT just gave this new live album of GARUDA TRIO + RODRIGO PINHEIRO a fabulous review (in Portuguese). The digital-exclusive album is available here.

Gravado ao vivo na SMUP, em março de 2024, o terceiro álbum do Garuda Trio volta a ter o pianista Rodrigo Pinheiro como convidado (muito) especial.
Metade humana e metade pássaro, simbolizando a ligação entre o céu e a terra, a união de mundos opostos, Garuda é uma figura mitológica do budismo tantra tibetano. Representada frequentemente atrás da cabeça de Buda, agindo como protetora e devorando o inimigo, a serpente (naga, em sânscrito) significa ainda o estado desperto da mente. Mas Garuda é também um trio que junta o saxofonista alto Hugo Costa, há muito radicado em Roterdão, Países Baixos, nome central em grupos como Albatre, Anticlan ou Real Mensch; o muito ativo e plurifacetado Hernâni Faustino no contrabaixo (RED Trio, Wire Quartet de Rodrigo Amado, Nau Quartet de José Lencastre, No Nation Trio, Staub Quartet, de entre uma miríade de diferentes projetos, incluindo aventuras a solo); e João Valinho (Move, Antropic Neglect, Variable Geometry Orchestra), baterista que também reparte a sua atividade tentacular por múltiplos projetos e em diferentes contextos estilísticos e configurações instrumentais. A formação-base, aqui novamente alargada para quarteto, acaba de editar o seu terceiro registo, o primeiro ao vivo, gravado na Sociedade Musical União Paredense (SMUP), em março de 2024. Com Costa, Faustino e Valinho está, mais uma vez, o pianista Rodrigo Pinheiro – que também misturou e masterizou o álbum –, após uma muito bem sucedida primeira parceria em “Tongues of Flames”, de 2024, com chancela da A New Wave of Jazz, do guitarrista, explorador sonoro e produtor Dirk Serries, outro consórcio que se renova em “Live at SMUP”, em edição exclusivamente digital. Os caminhos trilhados pelos quatro músicos cruzam-se numa rede apertada de cumplicidades (Pinheiro e Faustino no RED Trio, com João Valinho a juntar-se-lhes em vários outros projetos partilhados), embora nunca tivessem tocados todos juntos até 2024. O trio começou a ganhar forma no verão de 2021, quando Hugo Costa convidou Faustino e Valinho, aquando de uma passagem por Lisboa, para uma sessão de trabalho, ressaltando a empatia musical que logo se estabeleceu entre os três músicos. A estreia discográfica, homónima, aconteceu em 2022 pela Subcontinental Records, muito possivelmente a única editora independente indiana de música experimental. A colaboração com Pinheiro surgiu após um concerto que o juntou a Costa e Valinho na Cossoul, a 7 de julho de 2022, que revelou altos níveis de interação. No dia seguinte, tinham uma sessão marcada em estúdio em trio e não hesitaram em convocar o pianista. Se “Tongues of Flames”, o resultado, foi um álbum mais introspetivo, de traços jazzísticos mais vincados e, certamente, mais espiritual, o novo álbum, talvez por ter sido registado ao vivo, e também pelas circunstâncias da sala nesse dia em particular, é mais energético e emocional, catártico mesmo. Hugo Costa recorda com nitidez a noite do concerto: «Mesmo antes do concerto fomos informados de que estava a decorrer um ensaio da orquestra filarmónica que, infelizmente, não podia ser cancelado. Portanto, o nosso concerto ia decorrer ao mesmo tempo do ensaio da orquestra, que estava a ensaiar mesmo debaixo de nós», diz o saxofonista à jazz.pt. «Por essa razão, começamos o concerto com grande intensidade de volume e dinâmicas para igualar, ou até mesmo sobrepor, o som do ensaio da orquestra.» Em jeito de brincadeira, diz, apresentaram o concerto ao público como «Garuda trio mais Rodrigo Pinheiro mais big band.» Pinheiro tanto pode aportar (mais) intensidade, como servir de contraste e refrigério, como se o trio tivesse mesmo nascido para ser quarteto, trabalhando as dinâmicas e movimentando-se com propósito entre os dois extremos. «O Rodrigo tem uma abordagem muito física, percussiva, oferecendo uma paleta harmónica rica que amplia o espectro tímbrico do trio», sublinha Costa. «O pianista tanto adiciona urgência, tensão ou suspensão, que levam o quarteto para outros níveis de intensidade, mas também a qualidade de trazer a música para águas mais calmas.»
A proposta sonora do trio continua solidamente fundada na linguagem do free jazz, plena de urgência e explosividade, da improvisação livre e da música contemporânea, sem premissas e com os músicos ávidos para explorar diferentes territórios sonoros. A música que urdem é urgente, dinâmica e de intensa propulsão, mas que não descura, a espaços, uma componente mais contemplativa e atenta ao silêncio. Não há hierarquias ou subordinações de qualquer tipo, antes uma equidade nos papéis, todos decisivos para a construção sonora. Tudo o que se escuta nesta gravação ao vivo foi completamente improvisado numa lógica de espontaneidade e comunicação em tempo real. «O modus operandi criativo», explica Hugo Costa, «baseia-se na confiança mútua, [no gosto] de correr riscos, numa escuta profunda, na experiência partilhada de linguagem musical que permite criar, no momento. formas abertas e coesas.» Assumindo a influência da Cecil Taylor Unit especificamente neste álbum, Hugo Costa prefere realçar que «o mais importante é que tudo isso se dissolve em música autêntica.» “Climbing Mountains”, a mais extensa das duas peças, com trinta minutos de duração, começa com uma improvisação coletiva, com o saxofone a introduzir células melódicas (o que, diga-se, aconteceu amiúde ao longo do concerto), acompanhado pela bateria e pelo piano em erupções rítmicas e harmónicas ancoradas no possante contrabaixo. Os músicos, alternando entre o trio e o quarteto, fervem em lume alto, em movimentos livres, mas assegurando que a formação soa como um bloco uno e sólido; a certo momento, o saxofone sai de cena e é o piano torrencial de Pinheiro – o fantasma de Taylor paira por ali – que se coloca no olho do furacão e que com a dupla rítmica desenvolvem ideias, até entrarem num padrão repetitivo. Costa reentra com multifónicos e harmónicos e prossegue o seu discurso pujante, sem perder foco ou clareza, até um clímax que se desfaz em murmúrios. Tudo se aquieta e se torna mais anguloso; convergem elementos de várias etapas da história do jazz, desafiando espaço e tempo. O trio piano-contrabaixo-bateria é exemplar no paulatino tricotar de ideias, juntando-se-lhe o saxofone, sem pressas. A atmosfera rarefaz-se, abrem-se espaços, o saxofone ganha um cunho melódico e contemplativo, o piano soa límpido, contrabaixo e bateria são exemplares no recato consequente. Na secção final, a música encorpa novamente, a tensão aumenta, até a dupla rítmica guiar a escalada final da montanha. “The Eye Of The Storm”, com pouco mais de vinte minutos, segue numa senda de certa forma mais camerística, com um diálogo entre o saxofone detalhado de Costa e o contrabaixo de Faustino, com este a recorrer ao arco para acrescentar gravitas. O piano aporta ingredientes de feição clássica e o saxofone volta a introduzir células melódicas e fragmentos insistentes – que se repetem com variações mínimas –, a música agita-se, o ritmo é fervoroso. As repetições de acordes agrupados formam mantras harmónicos em constante mutação; explosões energéticas alternam com momentos de suspensão que conduzem a narrativa coletiva com uma urgência ritual. Escutam-se clusters densos, longínquos ecos de blues. A tensão volta a acumular-se, o saxofone aumenta a parada, ziguezagueando libérrimo sobre espesso manto tecido pelos demais. No fim, tudo tende para um silêncio primordial.”

TROMPE L’OEIL

This new digital release on A New Wave Of Jazz just received a lovely review on the Moors Magazine website. The album is available here…

“In het Lemadi Trio konden we al kennis maken met de Portugese saxofonist José Lancastre, die daar samen met gitarist Dirk Serries en pianist Martina Verhoeven de sterren van de hemel speelden. Hier horen we hoe Lancastre en Serries met zijn tweeën op muzikaal avontuur gaan, en dat is al net zo’n fascinerende reis. Gitaar en saxofoon, maar wat een rijkdom aan klankenwereld weten die twee samen op te roepen! Aftastend en fluisterzacht, en dan even later volledig de beuk erin, zonder de controle te verliezen. Samenspel op ongelofelijk hoog niveau. Dit soort live improvisaties zijn live natuurlijk fantastisch om mee te maken, maar de opnames laten horen dat je als luisteraar blij kunt zijn dat ze vastgelegd zijn, want voordat je deze muziek helemaal ontrafeld hebt en alles volledig op zijn plek gevallen is ben je al snel een paar draaibeurten verder. Een plaatje om te koesteren.” Moors Magazine – The Netherlands

Edit

JOSÉ LENCASTRE & DIRK SERRIES new release

Proud to announce this third release in our digital series. Since their encounter in 2023, Portuguese alto saxophonist JOSÉ LENCASTRE and Belgian guitarist DIRK SERRIES teamed up in several constellations, like TRANSITION UNIT (with Rodrigo Pinheiro) and LEMADI TRIO (with Martina Verhoeven). Here in prime duo format at the Oude Klooster chapel in Belgium for a private recording session. Blending the lyrical sax motives of José with the unique character of Dirk’s guitar playing, this album showcases the duo in form, from distilled minimal phrases to the frenetic free jazz. An unique duo document – beautifully captured in the inspirational acoustic of the old chapel.

MARK WASTELL / DIRK SERRIES

Last weekend multi-instrumentalist and CONFRONT RECORDINGS owner MARK WASTELL (UK) and Belgian guitarist DIRK SERRIES celebrated the release of their EP ‘DUAL ACTIVITY’ on CONFRONT RECORDINGS with two concerts and a session at the Oude Klooster chapel in Brecht (Belgium).

Mark Wastell wrote : One hot summers evening in August of 1992, I sat, together with about thirty others, in a small room above a pub in north London, to witness a duo concert by Derek Bailey and John Stevens. The music they played that night marked me for life. I reflect on that gig to this day. Their commitment, energy, seriousness and musical intellect has informed me for over three decades. John had exploded into my realm a couple of years earlier, and remains a constant inspiration. His concepts and theories about improvised music have influenced generations since. The other great theorist of the period was Derek Bailey. Dirk Serries love and appreciation of Derek is self evident. He holds Derek in the highest regard and, in just the same way I feel about John, his love of Derek is obvious. So, here we present a duo of our own. Same instrumentation, guitar and a small percussion set, with the intension of presenting a music as clear and p ure as our mentors.” 

The EP is already sold-out but digitally you can find it on the CONFRONT RECORDINGS’ bandcamp or at DIRK SERRIES’ bandcamp.

Check out the video footage (by Seppe Durnez) from their concert at the 2025 CITADELIC FESTIVAL in Gent (Belgium) on June 1st. Photos below are from Peter Wüllen, Jan Kees Helms, John Sax and Jef Vandebroek.

MARK WASTELL & DIRK SERRIES

UK improvisor and label director Mark Wastell has been a driving force in the British free impro scene for years. As part of Derek Bailey’s COMPANY group in his younger years to being the label curator of the tone-setting CONFRONT RECORDINGS, Mark is a talented multi-instrumentalist, known for his cello work solo and in a group like IST with Rhodri Davis and the late Simon H. Fell. While guitarist Dirk Serries has been transparant about his fascination for Derek Bailey, Mark is equally inspired by the legacy UK drummer/percussionist John Stevens left behind.

As a sincere ode to Bailey & Stevens’ oeuvre and important contribution to the free improvisation scene, as we know it now, Mark Wastell & Dirk Serries are joining hands for a set of percussion/guitar duo concertsand recording sessions. They are playing Rotterdam’s KOFFIE & AMBACHT on May 31st and the open-air CITADELIC FESTIVAL in Gent on June 1st. Their first ‘tour’ ep is scheduled for a limited run release on Confront Recordings around that time.